





"Public Enemies" é o primeiro grande filme americano do ano. William A. Wellmann e Howard Hawks revistos e actualizados por Michael Mann, que sabe que houve entretanto Arthur Penn, Coppola e Sergio Leone. Visualmente impressionante.




"Conceivably the best picture Sam Goldwyn ever produced, this 1955 blockbuster musical has an undeservedly bad rep, largely because the two leads--Marlon Brando as professional gambler Sky Masterson and Jean Simmons as Salvation Army recruiter Sarah Brown--aren't professional singers. In fact, they both do wonders with Frank Loesser's dynamite score because they perform their numbers with feeling and sincerity, and their efforts to live up to their material are perfectly in tune with the aspirations of their characters (as well as the songs themselves); in short, this may be the only Method musical. Joseph L. Mankiewicz does a creditable job with the stylized, stagy sets and the pungent vernacular of the original Damon Runyon material (which he also adapted). Also on hand, and at their very best, are Frank Sinatra (as Nathan Detroit), Vivian Blaine (as Adelaide), Stubby Kaye, B.S. Pully, Veda Ann Borg, and Johnny Silver."
Há uns anos, quando quiseram levar ao cinema um best-seller intitulado "Memórias de uma Geisha" (que resultou num filme medíocre), que contava a história (ao longo dos anos 20, 30 e 40) de uma menina nascida numa aldeia de pescadores que chegou a ser uma das mais celebradas geishas do Japão, os americanos, para dar uma cor local à produção internacional, não tiveram melhor ideia do que entregar todos os papéis de japonesas a actrizes... chinesas. Alegaram que não havia actualmente um punhado de actrizes japonesas de gabarito internacional, ao contrário das chinesas. Tinham razão numa coisa, as actrizes chinesas escolhidas para o filme eram excelentes e todas sobejamente conhecidas do público tanto oriental como ocidental (Gong Li, Zhang Ziyi, Michelle Yeoh). Não quer dizer que não houvesse hoje no Japão talentos do mesmo nível; não são é conhecidos fora do país. Porém, seria quase a mesma coisa que filmar uma história siciliana com actrizes alemãs. Mal acomparado, mas entendem-me... Enfim, é daquelas coisas das co-produções internacionais.
Bela e talentosa, 33 anos, uma carreira invejável já com 5 nomeações para o óscar (embora nenhum prémio) e um dos maiores êxitos de bilheteira de todos os tempos ("Titanic"), Kate Winslet acaba de realizar um feito inédito ao ganhar 2 Globos de Ouro na mesma cerimónia (melhor actriz principal e melhor actriz secundária). Ainda não vi nenhum dos filmes, mas já estou com água na boca...
Eu sei que ainda não estamos na quadra natalícia para já estar a recomendar um filme destes, mas acontece que os azares de uma gripe prematura me permitiram dedicar mais de 4 horas a rever este blockbuster dos anos cinquenta (o filme que fechou a carreira do cineasta "bíblico" por excelência, Cecil B. DeMille) e posso garantir-vos, sem ironia, que ainda hoje sobrevive muito bem e aguenta sem desprimor qualquer comparação com a maior parte dos blockbusters descerebrados de hoje.
Este é um blockbuster da época em que os blockbusters se chamavam superproduções, mas que já na época se distinguia das outras superproduções bíblicas porque por trás da mensagem religiosa (e sincera) havia uma mensagem política clara: a oposição entre uma sociedade ditatorial e esclavagista (Egipto) e um povo que procura a liberdade dentro da ordem de uma verdadeira fé (Hebreus).
A oposição é irresistivelmente acentuada pelos actores escolhidos para interpretarem os papéis de Ramsés (o herói negativo) e Moisés (o herói positivo) : um Yul Brynner de feições orientalizantes

Devo confessar que toda esta história "egípcia", da luta pelo poder e influência entre Ramsés e Moisés junto do faraó-pai, e da rivalidade dos mesmos pelo coração (e não só) de Nefertiri é o mais interessante do filme (e o realizador tem a habilidade de a estender por quase dois terços do longo filme).
Tudo é magnificamente irresistível: as cores , quase sempre primárias (de Lloyal Griggs, um dos grandes mestres da cor do cinema americano), a música, menos pomposa do que se poderia esperar (de Elmer Bernstein), a cenografia, deliberadamente artificiosa e teatral (uma equipa com o grande Hal Pereira à cabeça). Repare-se como tudo funciona neste "tableau": o sentido visual de DeMille é absolutamente notável, e a eficácia do que nos diz a imagem não encontra paralelo nas superproduções dos dias de hoje - trata-se do momento em que o primogénito do faraó acaba de morrer na sequência da última praga lançada sobre o Egipto; o sentimento de impotência é grande, a rainha, de vermelho (a tentadora que vai exigir vingança não pela morte do filho, mas por se sentir despeitada) jaz por terra, e o gesto de poder do faraó é menos ameaçador do que resignado - acaba de se aperceber que o deus dos hebreus é mais poderoso do que os deuses do Egipto (está bem de ver que este equilíbrio entre a narração e a sua encenação nem sempre é mantido ao longo do filme).
Curiosamente para uma superprodução deste nível - um dos filmes mais caros da história - que utiliza o "state-of-the-art" dos efeitos especiais da época, estes nunca surgem desnecessariamente para espantar o espectador, com valor de espectáculo puro, mas são sempre justificados pela narrativa e são mesmo utilizados esparsamente. Por exemplo, as pragas do Egipto não são todas mostradas, quando teria sido fácil encher-nos o olho com a invasão dos ratos ou dos insectos. Apenas as necessárias para fazer progredir a história. Claro que num filme intitulado "Os Dez Mandamentos", não se poderia evitar o momento da comunicação dos ditos. E ele lá está, através do fogo divino:
A nível de inspiração iconográfica, DeMille recorreu à obra de Arnold Friberg, um pintor em voga na altura, cujos quadros chegaram a ser apelidados de DeMillianos apesar de, sobretudo no que se refere às cenas bíblicas, serem anteriores ao filme.
Mesmo a travessia do Mar Vermelho (uma das cenas mais espectaculares e pelas quais o filme é recordado) ecoa um quadro de Friberg.
Ingénuo, desmedido, kitsch, pomposo - o que se quiser. Não há gladiador nem senhor dos anéis que lhe chegue aos pés. Deixem passar mais 50 anos e depois venham falar comigo.